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Crítica | Hells

MadHouse, um dos estúdios mais fortes desde sempre, e cheios de pontos altos (Black Lagoon, Death Note, One-Punch Man) e com outros duvidosos. Hells, uma adaptação do mangá Hell’s Angels criado por Sin’Ichi Hiromoto conseguiu se aproveitar da ótima qualidade que a MadHouse consegue passar, mas infelizmente peca no roteiro e em outros pontos.

A história começa com nossa protagonista chamada Linne, uma garota comum do ensino médio que sai de sua casa para seu primeiro dia de aula já atrasada, mas no caminho para a escola ela vê um gatinho no meio do asfalto e sem pensar duas vezes pula para salvá-lo da morte eminente. E como resultado, ela acaba sendo atropelada por um caminhão e morre. Ela não vira uma detetive espiritual (infelizmente), ao invés disso, ela acaba indo para uma outra escola… No inferno.

E o inferno acaba sendo a parte mais cativante do filme, os personagens apresentados são bem carismáticos e divertidos, como a Kiki: uma bruxa que fica fazendo pegadinhas com a novata, e Stealer: uma espécie de monstro de frankenstein que parece sempre séria junto com seu cão meio zumbi, mas que na verdade são dois amores de pessoas (criaturas?), e mais umas garotas malucas e engraçadas que completam sua classe. E o Helvis que tem o maior potencial para ser o personagem mais maluco, engraçado e carismático, e que é o diretor da escola.

A Linne fica desacreditada que realmente está morta, e começa a procurar alguma maneira de voltar para a sua mãe, e então é dito para a protagonista que ela poderia voltar para a Terra caso se formasse na escola, ou que ela poderia realizar um desejo caso vencesse o campeonato de esporte escolar. E o desejo dela que é voltar para a sua mãe tem agora um meio de se concretizar.

O desafio para a protagonista já estava criado, e ela já estava trabalhando nele junto com suas colegas de sala que, no começo, não queriam nem participar do campeonato, mas a Linne de forma natural e divertida conseguiu formar um time com elas.

E isso tudo no primeiro ato do filme. E talvez esse seja o maior problema do filme. Tudo que é apresentado no primeiro ato é jogado para o lado para sermos apresentados para uma nova verdade e novos objetivos e novos inimigos.

O filme começa a se arrastar no segundo ato, e é dado uma nova solução para a protagonista, mas novamente, essa solução acaba não servindo para nada e é empurrado para o terceiro ato (também arrastado) com um novo conflito. Personagens surgem do NADA para entrar na história, e o conflito final, que poderia ter sido até legal, com o tema de otimismo versus pessimismo, acaba sendo banal e chato de se assistir.

O estilo da arte é bem único, o design do mundo e das criaturas lembram filmes criados por Tim Burton como “O Estranho Mundo de Jack” e “A Noiva Cadáver”, porém mais estranho. O traço dos personagens é bem simples e o cenário é mais simples ainda, sem detalhes, mas de forma proposital para dar a característica do filme, dando uma ambientação bem única e bacana. É um mundo onde o Sol e a Lua de Soul Eater poderiam viver como se estivessem em seu anime.

A trilha sonora poderia ser muito melhor do que é, uma vez que eles tinham o Rei do Rock and Roll como personagem. As vezes que usaram foram ótimas, mas foram poucas, e o restante da trilha é de nível trivial.

Se a história tentasse seguir só o primeiro ato, poderia ter sido um ótimo filme, mas, ele tenta crescer demais e rápido demais para algo MUITO grandioso e épico, e isso é sem dúvidas seu maior erro. Mas mesmo com todos esses erros o filme acaba sendo divertido.

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Tairon

Se gostamos de coisas diferentes, meu gosto é o certo.

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