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Seishun Buta Yarou wa Bunny Girl Senpai no Yume wo Minai | Crítica

Seishun Buta Yarou wa Bunny Girl Senpai no Yume wo Minai (Rascal Does Not Dream of Bunny Girl Senpai) é uma adaptação da novel Seishun Buta Yarou Series, desenhado por Mizoguchi Keiji e escrita por Kamoshida Hajime, o mesmo escritor de Sakurasou Pet na Kanojo. Produzido pelo estúdio CloverWorks, também responsável por Darling in the FranXX e Fairy Tail: Final Series. A narrativa é sobre um garoto que ajuda garotas afetadas por fenômenos sobrenaturais, causados pelas psiques instáveis das adolescentes.

A história apresenta Azusagawa Sakuta, um garoto do ensino médio o qual estava em uma biblioteca e se depara com uma garota vestida de coelhinha, vista apenas por ele. Trata-se da sua senpai, Sakurajima Mai, uma modelo e atriz famosa, a qual havia dado uma pausa na carreira para estudar. Mais tarde, esse acontecimento estranho se refere à Síndrome da Adolescência.

A Síndrome da Adolescência são fenômenos sobrenaturais, os quais são explicados com teorias, estudos e experimentos da física quântica; e são ocasionadas pela instabilidade mental sofridas pelos adolescentes, devido a várias ações e imposições sociais de amigos, familiares e até dos próprios personagens, para conseguirem alcançar as expectativas da sociedade. A partir disso, em cada arco e de maneira um pouco previsível, o protagonista vai descobrindo os motivos de cada garota ter desenvolvido essas anomalias; e logo depois, as auxilia a resolverem esses problemas que afetam o psicológico das heroínas.

Enquanto isso, Seishun Buta Yarou consegue desenvolver um clima de mistério, por causa da narrativa lenta, a qual vai esclarecendo os acontecimentos de maneira calma e devagar, deixando a obra quase sem nenhuma explicação incompleta e fazendo as expectativas do espectador aumentar à medida que as revelações vão sendo mostradas. Tudo isso acompanhado de ótimos diálogos muito bem empregados, pois além de servirem como ações para cenas futuras, ainda conseguem aprimorar a história e os personagens.

Além disso, o anime ainda consegue criar um romance interessante, pelo fato da dinâmica entre o Sakuta e a heroína principal ser muito boa e convincente. Tanto pelas declarações feitas pelos personagens quanto pelas ações, os quais conseguem demonstrar o carinho que os dois sentem um pelo outro. A sinceridade entre o casal, os olhares e momentos de fraqueza, conseguem apresentar um relacionamento realista, a ponto do espectador torcer para que o par romântico fique junto no final.

Seishun Buta Yarou tem como maior ponto de destaque os seus personagens, em especial o principal. Sakuta é um protagonista o qual possui uma personalidade interessante, por causa da enorme sinceridade e capacidade de tomar decisões bem firmes, diferenciando-o de muitos outros personagens originados de light novels envolvendo diversas heroínas.

Além disso, ele ainda consegue mostrar motivações, atitudes e fraquezas que conseguem ser convincentes pela coerência com o seu perfil. E também, apresenta o ponto de vista do espectador, já que ele é uma pessoa não afetada, diretamente, pela Síndrome da Adolescência.

O anime também mostra diversas heroínas. Cada uma com personalidades e físicos diferentes, os quais servem como um fanservice, pela grande quantidade de “waifus” para cada “público” específico. E apesar de possuir esse elemento supérfluo, todas as personagens não são diminuídas, possuem problemas convincentes e altamente identificáveis com o público, pois passam por problemas de identidade, medos e conflitos sociais, como qualquer outra pessoa normal. Além disso, todas possuem resoluções para as suas adversidades que são coerentes com os seus perfis e demonstram uma evolução no caráter de cada garota.

A animação da adaptação é competente, no qual a fluidez das cenas estão bem feitas para um anime de slice of life e a qualidade gráfica não decai muito no decorrer da temporada. Entretanto, apesar do ‘design’ dos personagens combinarem com o gênero, ele é comum e todos os personagens possuem rostos muito parecidos uns com os outros, principalmente o Sakuta e o melhor amigo dele. Além disso, o CGI incomoda um pouco, pois ele fica muito evidente nos figurantes das cenas, devido a movimentação extremamente robótica.

A direção de arte foca em mostrar paletas extremamente comuns, mas combinam muito com gênero slice of life, pois deixam a obra com um “clima” mais realista, aumentando a verossimilidade da obra para o público. O anime também consegue ter uma fotografia interessante, que enaltece as reações dos personagens, e principalmente, dá um grande destaque para os cenários bem detalhados.

Além disso, a abertura apresenta uma animação fluída e com vários foreshadowing da obra. Todavia, o destaque fica para o encerramento, o qual a medida que a adaptação vai avançando e mudando de arcos, vai sofrendo alterações, como os personagens destacados e as cores dos cenários.

Seishun Buta Yarou apresenta uma trilha sonora discreta e calma, os quais se conectam com os gêneros do anime, pois criam uma ambientação de rotina e normalidade para o ‘slice of life’; e também possuem tons de mistério e um pouco de suspense que se alinham com o sobrenatural. A adaptação ainda tem músicas de aberturas e encerramentos que passam uma ideia de jovialidade os quais combinam com o enredo da obra, com destaque para a ‘ending’, que muda de cantora a cada arco novo.

Além disso, o anime possui sons ambientes e efeitos sonoros bem produzidos, pois quando os protagonistas estão conversando em um trem cheio de pessoas, é possível ouvir as risadas e os ruídos dos figurantes ao redor deles. A direção de som ainda selecionou dubladores que tem vozes coerentes com as fisionomias e personalidades dos personagens, e também dão entonações condizentes com as cenas. Com um destaque maior para as ‘seiyuus’, pois além de conseguirem incorporar as heroínas, elas ainda cantam algumas músicas da obra.

Seishun Buta Yarou é um anime sobre como a saúde mental dos adolescentes podem ser afetadas negativamente por várias questões sociais, como amizade e solidão. E todas essas imposições, acabam fazendo os jovens perderem as suas individualidades e os obrigam a seguir certos padrões da sociedade, de maneira quase obrigatória. Além disso, a obra apresenta um amadurecimento de Kamoshida Hajime, como escritor, ao desenvolver o psicológico dos seus personagens de maneira mais séria e verídica, em comparação com Sakurasou, sua antiga light novel.

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G.K

Sai, mas voltei.

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