A Narrativa do Terror Japonês

Sobrenatural, ou seja, aquilo que foge do normal, que não é cotidiano ou comum ao dia a dia. Quando se aborda o tema sobrenatural, ou como neste artigo mais especificamente o terror, o medo, a estranheza, pode parecer simples e corriqueiro, mas é algo bem mais complexo do possamos imaginar. 

O terror japonês não é como o terror brasileiro, que não é como o terror britânico, que não é como o terror africano. Narrativas do terror advém de contos e histórias passadas de gerações e instauradas na cultura como tradições e simpatias que repetimos até hoje sem nem mesmo sabermos; como o hábito que temos de não deixar o chinelo virado ou a superstição com o número 4 em japonês por ter a pronúncia que se assemelha a morte (shi).

No entanto, o mais interessante disso é ver como a narrativa do terror japonês procede e como ela é construída nos animes que assistimos e a forma que por meio deles aprendemos muito sobre a cultura, costumes e história do japão.

Uma breve história

Acredita-se que as histórias sobrenaturais e lendas japonesas foram propagadas inicialmente por monges e peregrinos do período Edo que contavam suas histórias de coisas que presenciaram em suas andanças pelo japão da época.

Histórias essas que foram passadas por gerações, sofreram modificações e por fim foram perpetuadas na literatura e na arte, criando então superstições e histórias de arrepiar retratadas hoje em dia nos mangás que lemos e nos filmes e animes de terror que assistimos.

Diferentemente, do ocidente, mais objetivamente do Brasil, no japão o medo está presente em escolas, em famílias amaldiçoadas e em seres místicos como Shinigamis, Yokais e na fragilidade do povo.

Obras

Obras como Yami Shibai, retratam exatamente essa fragilidade do povo e mostra muito como a morte impacta negativamente na sociedade japonesa. Esse é um anime que são pequenos contos feitos em uma animação diferente com frames em papel de 3 minutos cada episódio, e não ache que isso não seja o suficiente para arrepiar seus cabelos ou até mesmo te deixar reflexivo.

O anime mostra exatamente como a narrativa do terror japonês funciona, pois, feito retratando pessoas no seu dia a dia que por fim se vêem em situações assustadoras, ele traz a agonia do povo e o medo das pequenas coisas.

Nesse anime é comum você sentir um teor confuso e até nem tao pouco assustador em alguns episódios, porém, retomando o que já foi dito anteriormente, é um reflexo da sociedade japonesa e não brasileira. Portanto, se você para e pensar um pouquinho ou ter um prévio conhecimento cultural do meio nipônico, aquilo faz total sentido e é de fato assustador.

Coisas como, o medo de estar sendo observado, ou o remorso por uma morte não impedida e até o arrependimento de algo feito no passado e escondido por décadas é uma das questões mais abordadas nos animes e faz total sentido para o Japão, a culpa ou o remorso é um dos principais fatores de suicídio no país e que stalkers, infelizmente, são algo comum no meio.

Junji Ito: Colection é outro anime que vale a pena trazer em discussão, abordando fobias e superstições e com episódios individuais ele nos mostra como o ódio, o bullying e o preconceito pode gerar uma série de acontecimentos.

Ele aborda a narrativa do terror como punição. Diferente de Yami shibai que retrata, em suma, o remorso, Junji Ito retrata o castigo, a agonia, a fobia em seu ápice. 

O mais interessante de perceber nele não em tudo como ele é retratado e sim porque ele é o que é. Nele é mostrado o pior das pessoas e como o preconceito japonês, o abuso psicológico faz com as pessoas demonstrem o pior de si.

A grande empatia e solidariedade de todos tanto invejada do país pode não ser totalmente verdade e apesar de ser apenas uma obra cinematográficas, vale o questionamento. O que eu consegui tirar de Junji Ito e sua narrativa do terror foi: As pessoas podem ser boas e solidárias, mas nem todas são e fique atento, as vezes algo é muito mais do que parece ser.

Isabel

90% da minha personalidade é composta por todos os animes que assisti.
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