Cinza.

Um mundo tão colorido quanto esse parece completamente incolor quando observado por olhos que não querem ver suas cores. E… bem, acho que o meu por do sol já está cinza há alguns anos.

Tenho saudade do momento dourado do dia, quando o céu fica confortável para os olhos e se mistura com o oceano no horizonte, mas meus olhos já não enxergam mais essas cores. A beleza do céu dourado é para os poucos que conseguiram proteger as coisas que lhes traziam esperança, e eu falhei.

Vejo o borrão vermelho dos carros se movendo durante a temporada de chuva, o brilho da prata dos relógios, o dourado artificial de seus ponteiros, e principalmente, o cinza sem vida que eu vejo em todas as coisas. No céu, no chão, e em todo o resto. Não sei se vou conseguir recuperar o meu céu dourado sozinho, mas minhas chances não parecem tão boas. Especialmente quando eu passo metade do meu tempo aqui, sentado, vendo o tempo se esvair diante dos meus olhos.

Fan art de Beastars, artista original não encontrade.

Essa janela já deve estar cansada do meu reflexo, eu com certeza -.

“Beau, eu não quero atrapalhar seu momento mas… seu café vai esfriar.” A miúda apontou para a xícara em cima da mesa.

“Eu sei, não precisava me interromper.” Menti enquanto finalmente pegava a xícara.

Não é a primeira vez que me perco em lamúria enquanto observo a chuva, e com certeza não será a última. A pior parte? Eu encontro meu reflexo no vidro, e vejo a mesma cor sem vida de sempre.

Um borrão cinza que se perde entre o embaçado causado pela chuva do lado de fora, e pela fumaça do lado de dentro. Mas apesar de tudo, poder ver meu rosto se perdendo nessa amálgama de cinzas é algo que – por bem ou por mal – sempre consegue me deixar mais calmo.

Ainda não sei o que faz essa menina brilhar tanto sob os meus olhos e, sinceramente, não estou tão interessado em descobrir. Mas se isso for deixar ela feliz, já é melhor que passar os últimos anos da minha vida vendo o cinza do meu rosto encontrar seu lugar no fundo do cinzeiro.

“Vamos, miúda.” Finalmente me levantei. “Você queria ver o por do sol, não é?”

Ela saltou do sofá e – com um grande sorriso em seu rosto – me acompanhou para fora de casa.

Han Sooyoung.
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